MERCADO

Mercado residencial começa a dar sinais de recuperação no Espírito Santo
Após três anos de crise, estado deve receber 200 novos edifícios. Vila Velha concentra a maior quantidade de lançamentos, com destaque para médio e alto padrão
Mercado22/09/2019 12h00 Por: Claudio Janssen Fonte: www.aecweb.com.br...anto_16967_15_0 [+]





Mercado residencial começa a dar sinais de recuperação no Espírito Santo


Levantamento elaborado pela Rede de Obras, ferramenta de pesquisa da e-Construmarket, revela que o Espírito Santo receberá 200 novos edifícios residenciais. Os empreendimentos somam 20.846 apartamentos distribuídos em 463 torres, com área construída de, aproximadamente, 2,3 milhões de metros quadrados. Segundo o estudo, o padrão popular é maioria, com 11.260 unidades, seguido pelo médio (8.377) e alto (849).

O bairro com a maior quantidade de projetos é a Praia de Itaparica, localizado na cidade de Vila Velha e concentrando 28 empreendimentos. Na sequência do ranking aparecem a Praia de Itapoã (Vila Velha), com 15 edifícios; a Praia do Morro (Guarapari), com 14 edificações; e a Praia da Costa (Vila Velha), com 14 projetos. A previsão é que 53 empreendimentos sejam entregues em 2018, 47 em 2019 e outros 77 em 2020. Os nove restantes ficarão prontos até 2028.



MOMENTO DE RECUPERAÇÃO
Como não poderia deixar de ser, a crise econômica que afeta o país também causou problemas no Espírito Santo. “A desaceleração do mercado já dura três anos. No período, as incorporadoras enxugaram suas estruturas e os estoques foram se reduzindo devido à falta de novos lançamentos”, explica o engenheiro Sandro Udson Carlesso, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES).

Outro movimento resultante da crise foi a saída de construtoras de abrangência nacional do Espírito Santo. As empresas, que passaram a investir no estado durante o período de forte crescimento, entre 2007 e 2013, optaram por abandonar a região quando a situação econômica do país piorou. “Atualmente, somente uma dessas construtoras continua atuando no mercado capixaba”, fala Carlesso.

"A desaceleração do mercado já dura três anos. No período, as incorporadoras enxugaram suas estruturas e os estoques foram se reduzindo devido à falta de novos lançamentos." Sandro Udson Carlesso


Apesar de todas as dificuldades, o momento mais conturbado parece ter ficado no passado. Segundo o engenheiro, desde agosto de 2017 vem sendo possível perceber alterações na confiança de empresários e compradores. “As construtoras começaram a desengavetar seus projetos e estão preparando os lançamentos. Em alguns casos, já há até a comercialização de novos produtos”, informa.

O "MAPA" DO ESTADO
O Espírito Santo está cercado pelo mar ao leste e por montanhas no lado oeste. As características geográficas impedem grandes expansões e tornam limitada a oferta de terrenos. A capital, por exemplo, está saturada de projetos imobiliários, fazendo com que as obras migrem para os municípios da Grande Vitória.

“Por esse motivo, Vila Velha é a cidade que concentra a maior quantidade de lançamentos”, informa o presidente, lembrando que outro município que apresenta espaço interessante para expansão é Cariacica. “Mesmo com as limitações, Vitória continua sendo o local mais cobiçado pelas construtoras. Mas a limitação de espaço faz com que os poucos terrenos tenham preços elevados, impactando os valores dos imóveis”, complementa.

PADRÕES MAIS PROCURADOS
Os empreendimentos com maior procura no Espírito Santo são os de médio e alto padrão. Esse tipo de projeto é maioria em Vila Velha, que concentra 55% da produção imobiliária do estado. Já as construções populares estão na região da Serra e na cidade de Cariacica.

Produto que ganhou espaço no mercado capixaba durante os últimos anos foram os loteamentos. Exigindo menores investimentos, os empreendimentos permitem que as unidades sejam construídas aos poucos, respeitando o fluxo de caixa do futuro morador. “Bastante procurado, principalmente no interior, esse tipo de projeto deve continuar se fortalecendo, mesmo com toda a burocracia envolvida em sua aprovação”, diz o engenheiro.

"As construtoras começaram a desengavetar seus projetos e estão preparando os lançamentos. Em alguns casos, já há até a comercialização de novos produtos"
Sandro Udson Carlesso


ALUGUEL X COMPRA
A Ademi-ES realizou, em 2017, pesquisa de mercado que constatou uma mudança de comportamento da população em relação aos anos anteriores. Pela primeira vez, o interesse no aluguel superou o desejo de compra de imóveis. “A insegurança causada pela crise econômica fez com que as pessoas optassem por fugir de compromissos financeiros de longo prazo”, avalia Carlesso.

A expectativa é que o cenário mude assim que houver maior segurança, com a balança voltando a pender para o lado da compra. No entanto, essa alteração não é algo que deve acontecer logo nos primeiros meses da retomada do crescimento. “Afinal, com estoque limitado e baixa quantidade de lançamentos, a tendência é que aconteça um aumento no preço das unidades disponíveis quando a procura voltar a crescer”, afirma o presidente.

PERSPECTIVAS
Segundo o engenheiro, a expectativa é que 2018 apresente resultados melhores do que 2017. “O mercado capixaba depende da redução dos juros para financiamentos, principalmente dos bancos particulares. A Caixa oferece aportes para imóveis populares, como os do programa Minha Casa Minha Vida, mas que não atendem às necessidades do Espírito Santo, que trabalha, majoritariamente, com empreendimentos de médio e alto padrão”, diz.

As reduções nas taxas de financiamento são importantes tanto para as incorporadoras investirem em novos produtos, quanto para os clientes conseguirem comprar a casa nova. “Característica que também engessa a execução de novos projetos é a confiança. Mesmo se a oferta de crédito fosse maior, o comprador inseguro não se sentiria preparado para adquirir essas linhas de financiamento”, finaliza Carlesso.


Galeria de Fotos:





COMENTÁRIOS




VEJA TAMBÉM